sábado, 31 de outubro de 2015

Dez anos 2

Capítulo 2 

Ela virou-se para Breno: filho eu vou embora, depois a gente combina pra fazer alguma coisa tudo bem? 

Breno: não mãe, fica comigo por favor - implorou

(Seu nome): eu preciso ir meu amor - ele a abraçou 

Breno: eu vou com você então - (seu apelido) me olhou e eu assenti 

(Seu nome): se você não se incomodar em andar de ônibus - disse soltando um riso fraco 

Breno: com você eu topo qualquer coisa mãe - essa era uma parte do meu filho que eu não via a tempos. - vou lá na mesa pegar minhas coisas. - ele saiu saltitante e eu a fitei, sabia que a nossa conversa não tinha acabado 

Eu: por que fez isso? Por que sumiu sem mais nem menos, sem dar explicação? Por que me deixou? - perguntei expressando minha dor em relembrar o passado

(Seu nome): Eu não sumi sem mais nem menos! Eu expliquei tudo naquela carta! - franzi o cenho 

Eu: Que carta? - ela riu sarcástica 

(Seu nome): Deixei uma carta com a minha mãe, e ela garantiu que havia sido entregue a você, então não se faça de desentendido 

Eu: não recebi carta alguma - certifiquei e ela suspirou 

(Seu nome): Meu pai me ligou, disse que precisava de mim urgentemente, que era caso de vida ou morte, e me pediu pra que fosse até Las Vegas sem ninguém saber! Era o meu pai, então não vi problema, você estava no meio da turnê, e quando eu retornasse te contaria sobre a viagem, mas não foi bem como eu pensei. Meu pai me pediu dinheiro, muito dinheiro, explicou que era pra pagar o que ele devia, que tinha gente querendo matá-lo por conta de dívidas, e eu como sempre não vi o lado ruim disso, tirei trezentos mil reias da nossa conta compartilhada e entreguei pra ele, levei uma apunhalada nas costas, ele fugiu e tudo o que ele devia para donos de Cassinos caiu sobre minhas costas, eu não podia sair do país até pagar, a dívida totalizava 100.000 reai, pensei em pegar mais da conta, mas você já tinha bloqueado tudo, mandei a carta pra você, mas como não tive resposta a única saída era trabalhar pra eles. Ganhando dez mil por ano consegui quitar tudo agora, depois de dez anos. Guardei o pouco dinheiro das gorjetas durante esse tempo pra conseguir comprar minha passagem e aqui estou eu. Uma mulher de trinta e três anos, divorciada, com um filho de 17 anos, uma filha de 13 que nem sabe que eu existo, sem nada, tendo que recomeçar a vida do zero nessa altura do campeonato e pra piorar, um amor filho da puta que mesmo depois de tanto tempo não consigo tirar do meu peito. - Não consegui dizer nada, as lágrimas já percorriam por minha face, minha única atitude foi abraça-la o mais forte que consegui. Afaguei seus cabelos e ela soltou um suspiro abafado, ela tocou meu rosto com as pontas dos dedos e meu corpo estremeceu, o toque dela ainda era único, a realidade era que eu ainda a amava. Quando pensei em me pronunciar Breno nos interrompeu 

Breno: vamos mãe? - ela se afastou rapidamente de mim

(Seu nome): vamos sim amor - sorriu pra ele - Bom, eu estou morando no apartamento, aquele que você já conhece muito bem o caminho - disse tentando ser simpática 

Eu: o que você dividia com a sua amiga quando namorávamos? - falei surpreso 
(Seu nome): Uhum! Ele ainda existe - rimos e caminhamos até a mesa, (seu nome) se policiou e não foi até a mesa, ficou parada na entrada, esperando por Breno. 

Breno: tchau maninha - beijou a bochecha de Nick 

Nicole: Onde você vai? Eu quero ir também - questionou intrigada 

Breno: prometo que da próxima vez te levo - ela olhou para a (seu apelido) parada na porta, ela sorria ao conversar com um homem que pelo jeito a elogiava. 

Milena: não me diga que você está namorando aquela mulher? - disse boquiaberta - 

Nicole: Para de pirar Mi, ela é bonita, linda na verdade, mas é bem mais velha que o meu irmão - apesar de terem a mesma idade, Nick era bem diferente de Milena, já pensava como uma mulher, tinha ideias incríveis, mesmo tendo treze anos era bem madura e sabia diferenciar o certo do errado. 

Breno: você tem razão Nick, ela é linda! Mas não é minha namorada, é a minha mãe - Nicole engasgou com o suco - agora me dá licença que eu tenho muito o que curtir. 

Nicole: Mãe? - indagou sem entender - BRENO ESPERA AI... droga - recostou-se sobre a cadeira ao ver que ele já havia saído, Cristina estava de cara fechada, depois de ver a irmã não pronunciou uma palavra se quer, ficamos todos em silencio, Nick estava pensativa e isso me incomodava. 

Eu: filha, no que está pensando? - ela me fitou 

Nicole: nada não pai, só estou tentando lembrar de onde conheço a mãe do Breno, eu tenho certeza que já a vi, e não é de hoje. - Olhei para Cristina que também me olhava com o mesmo olhar. 

Cristina: deve ser impressão sua filha - se pronunciou pela primeira vez 

Nicole: não mãe. Tenho absoluta e plena certeza que a conheço. - engoli seco

Continua...

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